Crepes franceses

 

Nada parece ser mais parisiense do que um crepe, certo? Um lembrete do savoir faire francês, daquele passeio maravilhoso em um dia ensolarado e frio na beira do Sena e da Torre Eiffel piscando quando você menos espera!

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Os crepes surgiram por volta de 7000 aC, quando uma mistura de cereais era socada no pilão com um pouco de água e deixada repousar em uma pedra (que aquecia com o sol, cozinhando a galette espessa).

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Na época moderna, reapareceu na região da Bretanha, no século 13, após o cultivo de trigo

sarraceno trazido pelas cruzadas da Ásia. Tornou-se então a famosa “galette bretonne.
A receita tradicional para se fazer um crepe é sempre a mesma: farinha de trigo (branca ou sarraceno) e líquido (leite com água ou cerveja). Pode ser feito em crepeiras tradicionais ou em uma chapa quente (frigideira grande também serve).

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Consome-se o crepe quente ou frio, doce ou salgado. Prato principal, lanche ou sobremesa. Fica a gosto do freguês!
Na França há uma regra para os crepes clássicos de que os mais claros geralmente são usados para preparações doces, enquanto os de trigo sarraceno são salgados. As maneiras de fazer os tão franceses crepes são inúmeras: podem levar até mesmo farinhas diferenciadas, como a de grão de bico, de lentilha e por aí vai. Os ingredientes adicionados variam bastante, dependendo do recheio que se quer acrescentar. Ovos vão geralmente nos doces. Pode-se adicionar ingredientes aromáticos à massa, como água de flor de laranjeira, água de rosas, licor Calvados (so french!), baunilha e o que mais você conseguir imaginar. Mas a única regra a se ter em mente é que O CREPE NÃO LEVA FERMENTO. Não deve crescer.

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Os acompanhamentos são dos mais variados: geléias, banana com pasta de avelã, e o meu preferido: Thon fromage avec poivre (atum com queijo emental e pimenta do reino). Sei que não é muito óbvio, mas para   mim ele tem gosto de Paris (o tiozinho da République faz o melhor da cidade!). Um crepe, mil possibilidades!

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Pode ser dobrado, enrolado, quadrado ou aberto mesmo. Grelhar, flambar com Grand Marnier e uma bola de sorvete de macadâmia (para aquele seu jantar temático francês ficaria perfeito!). Ele pode servir também de base para outras receitas, como bolo de crepes ou o mega french Ficelle Picarde (clique aqui ou aqui para receita).

Há equivalentes para ele em outros lugares: na Bélgica o vôte, a galette na Haute-Bretagne, pancake nos EUA (tipo sim, só que não), o blini no leste europeu e Rússia, o manakish no Líbano, a tortilla no Mexico, piadina na Itália, fainà na Argentina e o nosso crepe brasileiro. Obviamente nenhum se iguala em sabor e textura ao original francês.

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O crepe é tão celebrado na França que há festas que o usam como comida principal, exemplo do Chandeleur (40 dias após o Natal), onde os crepes representam a prosperidade para o ano que se inicia. Há uma lenda que diz que devemos saltear o crepe com uma moeda na mão, cantando a seguinte canção (tradução livre do original):

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” Na véspera do Chandeleur
Quando o inverno é cada dia mais forte

Se souber segurar bem a frigideira
A ti dinheiro em quantidade
E abrigo da estrela má
Se colocar o seu crepe do lado”

Bonitinho né? Franceses sendo franceses, e adoçando nossa vida com sabores e sonhos…

Te deixei com vontade de crepe? Vem aqui então! (PS- esta é a receita básica, use a sua imaginação e seja feliz!)

Au Revoir!

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Você se lidera?

Esses dias uma frase de um vídeo me chamou muito a atenção: “Neste mundo de seguidores, esquecemos de liderar a nós mesmos.” Foi como um tapa na cara, uma coisa que de tão real, até parece mentira. Liderar a nós mesmo? Como? Já não somos donos do nosso próprio nariz? Já não decidimos tudo, por nós e pelos outros? E agora? Como viver com essa?

Eu e a minha mania de “aprofundar tudo”, não consegui conviver. Tentei de vários jeitos me convencer de que sim, eu lidero a mim mesma. Só que não…e ninguém o faz nesses tempos de cólera (hei Gabriel!), de loucura digital e insensatez covarde. Você realmente acha que se lidera? OK! Sorte a sua!

vidadejovem.com.br

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Onde quero chegar é naquele momento em que perdemos a rédea, onde jogamos para o alto a flecha, e não para o alvo. Será que ele existe? Seria que ele é liderável, manipulável? Ou mesmo identificável?

As viagens digitais pelos mundos de Facebook , Instagram, blogs, sites mega legais, outros nem tanto, FaceTime, WhatsApps e afins nos elevam à posição de donos do mundo, mas, somos mesmo donos de nós mesmos? As nossas escolhas ainda são nossas? Seguimos 1.237 pessoas no Instagram, e mais um monte nos seguem de volta. Mas lideramos a nós mesmos? Sabemos o que queremos e quem ainda somos, ou já nos perdemos no besteirol eletrônico e viciante?

bligoo.com.br

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Manter a concentração e o foco no meio desse aquário digital colorido e piscante nos mostrando 5 mil atualizações por minuto é uma tarefa cada dia mais rara e difícil. Toda desatenção será castigada!!! Imagine para pessoas como eu, que precisam absorver cada segundo de informação, o que nos resta? A loucura, diria.

4md.com.br

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Um líder que se preze se mune de estratégias e planos B, de aceitação de suas dificuldades e pontos fortes. Além de humildade e ousadia. Se mantém altivo em meio à tempestade, forte como a pedra. Mas saberá manter o seu norte neste mundo onde uma boa selfie vale mais do que mil palavras?

A capacidade da auto-liderança é algo indispensável como a luz do sol: sem ela, estamos à deriva. Mas para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve, já dizia Alice no seu País de Maravilhas. E, para finalizar este post de inquietação da alma, cito uma das minhas frases preferidas, do meu amado Sêneca: “Nada é mais importante, portanto, que não seguir como ovelhas o rebanho dos que nos procederam, indo assim não aonde querem que se vá, senão aonde se deseja ir. E, certamente, nada é pior do que nos acomodarmos ao clamor da maioria, convencidos de que o melhor é aquilo a que todos se submetem, considerar bons os exemplos numerosos e nano viver racionalmente, mas sim por imitação.” 

Au revoir!

 

Viajante ou turista?

Você se considera um viajante ou um turista?

Este é um conceito bastante recente, porque hoje em dia está na moda ser “viajante”, o velho e bom turista é termo ultrapassado e cafona, ninguém mais se considera um…

Turistas se apinham em lugares óbvios e cheios de ainda mais turistas, seguindo geralmente um guia com bandeirinha, que fala a língua do grupo e dá “dicas imperdíveis” sobre o que não se pode perder de tal lugar. Um quebra-galho, que adianta a sua vida no caso de um completo desconhecimento do lugar que se está visitando- o que para o viajante, é inaceitável.

Sempre teremos Paris...

Sempre teremos Paris…

Já o viajante foge a milhas de distância de lugares com turistas. E, lembre-se, jamais chame um viajante de turista! Eles escolhem justamente o oposto, procuram mais por experiências do que coisas para comprar. Preferem se enfiar em cantinhos perdidos com pequenos restaurantes locais do que ir no famoso restaurante estrelado do Michelin. Preferem sempre assistir ao pôr-do-sol em algum lugar que ofereça uma vista magnífica da cidade do que ir aos já manjados lugares de sempre, cheios de gente. Os viajantes sentam-se e observam os locais, onde frequentam, o que bebem,  identificam hábitos mais rápido do que você consegue imaginar, e o principal: fazem amigos, aonde quer que estejam!

Dubrovnik- Croácia

Dubrovnik- Croácia

Um viajante sabe extrair o máximo de cada lugar que visita, sente a essência de seu povo, sabe ver a alma da cidade- e aproveita sem limites esta experiência. E geralmente, gasta muito menos do que um turista (que logo procura onde gastar seu dinheiro e lotar a mala). Ele sabe que o que define a essência de uma boa viagem é isso: aproveitar sem ter que para isso gastar os tubos. Frequentemente é convidado por seus novos amigos locais para degustar um jantar típico na companhia de sua família, e em troca oferece suas histórias, compartilha sua expertise em globe trotting e sua gratidão. E para isso, nenhum dinheiro é necessário.

Passeio na madrugada pelo Louvre: sensação de te-lo só para você!

Passeio na madrugada pelo Louvre: sensação de te-lo só para você!

Gasta pouco, pois pretende sempre reinvestir seu dinheiro em mais viagens, mensura o seu sucesso pessoal pelo número de carimbos de países no seu passaporte, orgulha-se de  cada vez levar menos coisas na mala- e cada vez mais coisas na memória.

Certamente um dos lugares mais lindos para mergulhar: Vanuatu, Micronésia

Certamente um dos lugares mais lindos para mergulhar: Vanuatu, Micronésia

Ser um turista, por outro lado, também não é ruim. Pense na Monalisa! Turistas e viajantes anseiam por conhece-la pessoalmente e maravilhar-se com seu ar de mistério e perfeição. Ambos concordam que ficar frente a frente com o Coliseu é uma experiência que todos devem ter na vida. E, certamente, os dois pensam que o topo da Torre Eiffel é um dos lugares para se estar para curar qualquer desilusão amorosa, onde a catarse provocada por aquela vista te dá a noção de que a vida é muito curta para ser desperdiçada em momentos tristes.

Você encontrará muitos turistas e viajantes na sua vida, mas não precisa necessariamente se enquadrar em um dos dois grupos: é possível aproveitar o melhor dos dois. Procure por experiências e cultura local como um viajante, mas também abuse do seu lado turista, visitando lugares óbvios. Eles podem te surpreender também. Quem nunca se arrepiou com a beleza gelada da vista do topo do Empire State em pleno inverno nova-iorquino? E o sentimento bucólico que as estações de patinação do Hotel de Ville de Paris, ou do Rockefeller Center no Natal te oferecem, de bandeja?

Vôo panorâmico pelo Grand Canyon- Arizona

Vôo panorâmico pelo Grand Canyon- Arizona

Seja cafona, faz parte do verbo turistar. Encontre o melhor dos dois mundos! Andar pelas margens do Sena é para todos, turistas ou viajantes!

Mas o principal: viaje, cada vez mais. Invista em sabedoria, cultura in loco, experiências para toda a vida, amizades inesperadas, inspiração. Seja um adepto do Wanderlust! E acima de tudo, não julgue, pois todo mundo teve ou terá seu momento turista!!!!

Au revoir!

Parasailing em Fiji, algo a se fazer na vida se quiser ter na memória algo espetacular e inesquecível

Parasailing em Fiji, algo a se fazer na vida se quiser ter na memória algo espetacular e inesquecível

Sobre summeliers e shrubs

Você já ouviu falar em summelier -sim, com u mesmo?

cupon.es

cupon.es

No Japão, esta é uma das profissões mais na moda do momento. Trata-se de um profissional especializado em vinagres  (provenientes do saquê), capaz de identificar sabores, sugerir combinações e criar novas possibilidades com este ingrediente por vezes subestimado na cozinha. E por lá, vinagre é coisa séria, pois segundo eles, ajuda a realçar o umami dos alimentos.

Um summelier analisa se a acidez está correta, se os sabores se misturam exatamente como deveriam, sugere novas misturas, acompanha as fases de produção, analisa a matéria-prima e atesta a qualidade. Mas acima de tudo, faz a harmonização dos vinagres de saquê com pratos, e o mais legal: com bebidas! Os japoneses o consomem muito no verão, com sucos de frutas e água com gás.

Nos Estados Unidos (onde já há uma cultura um pouco mais abrangente do vinagre), ainda não há oficialmente a profissão de summelier, mas bartenders ligados já estão aderindo à este ingrediente tão versátil e usando-o na criação de novos drinks: shrubs cheios de sabor (limpam o paladar e refrescam).

mdemulher.abril.com.br

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Aqui no Brasil temos poucos vinagres de qualidade, e sua produção ainda é pequena- a demanda não é assim tão alta que justifique um maior investimento. O vinagre sempre foi visto como coadjuvante sem grande importância na cozinha- é só observar os nossos vinagres sem graça de álcool, de maçã, de vinho branco, entre outros.  Mas esta visão felizmente está mudando, e já pegamos emprestado dos italianos o vinagre balsâmico, dos espanhóis o de Jerez, dos japoneses o de arroz e por aí vai.

Em algumas lojinhas de importados, ou no exterior, podemos encontrar vinagres um pouco mais elaborados: de malte e extrato de vinho branco com estragão, vinho com alho, malte puro, de framboesa, de caqui, de champagne, porto, vinho cabernet e outras uvas específicas e mais tantos outros que com certeza ajudarão e muito na elaboração de pratos diferenciados e surpreendentes. Mas o que acho ainda mais interessante é a opção de harmonização que estes summeliers podem oferecer, indicando os pratos que mais trariam à tona os sabores específicos de cada variedade de vinagre.

Como ainda não podemos contar com a expertise desses profissionais, deixo aqui algumas receitas de shrubs (a proporção de cada ingrediente pode sempre ser alterada a gosto)! Aproveite!

Refrescante:

  • 1 colher de sopa de vinagre de arroz;
  • 1 colher de sopa de suco de limão siciliano;
  • água com gás a gosto;

    houstonchronicle.com

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Elegante:

  • 1 colher de sopa de melaço de romã;
  • 1 colher de sopa de sementes de romã;
  • 1 colher de sopa de vinagre de cabernet;
  • 1 colher de chá de Jerez;
  • água com gás a gosto;

Elaborados:

  • faça um xarope de frutas com vinagre- deixe alguma fruta doce picada (pêssego, nectarina e frutas vermelhas são ótimos) macerando com açúcar e água (use a proporção de 1 medida de água para 1 de açúcar e 1 de vinagre). Deixe macerar pelo menos 3 dias para extrair todos os sabores. Depois, coe a mistura e adicione o vinagre de sua preferência neste xarope- tente exercitar o seu lado “harmonização” para definir o que mais combina.  Se quiser acrescente especiarias como cardamomo, canela, anis, noz moscada, gengibre ou ainda ervas frescas de sua preferência.
  • guarde este xarope em vidro hermético na geladeira e quando quiser usar misture com água, água com gás, infusões suaves, sucos diluídos ou alguma bebida alcoólica de sua preferência (de novo, use as suas noções de harmonização para decidir o que combina!).

Au Revoir!

angrychicken.typepad.com

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Conversation meals

Conversa com menu sobre o que conversar!

Você já ouviu falar em “conversation meals“, ou “refeições com conversa”?

Este é um conceito que vem tomando forma nos últimos anos em países como Estados Unidos e Europa, e tem por base promover encontros de conversação entre pessoas que nunca se conheceriam, mas têm vontade de saber mais sobre a comunidade à sua volta e as pessoas que a habitam.

São encontros semanais promovidos por bares, cafés, restaurantes, food trucks e instituições gastronômicas locais oferecendo aos participantes um “menu de conversação”, literalmente.

Você entra, é direcionado a uma mesa aleatoriamente, e encontra nesta mesa um parceiro para conversar juntamente com um “menu de conversação”, com tópicos sobre o que conversar– organizados em entrada, prato principal e sobremesa, de acordo com seu grau de importância e “subjetividade”. Os tópicos são até bem interessantes, e fogem um pouco do que se esperaria encontrar em um início de conversa com alguém que nunca vimos:

  • Na sua opinião, quais as coisas boas e ruins sobre ser bom?
  • O que você mudaria sobre a filosofia humana do amor?
  • Qual a sua história pessoal sobre autoconfiança, e o que ela lhe ensinou?
  • Qual o seu ideal de envelhecimento, e quem poderia lhe ajudar a concretiza-lo?
  • Você pensa que se sente mais em casa agora, no passado ou no futuro?
  • Como você acha que a ambição humana afetou a nossa forma de agir?

As conversation meals geralmente duram uma média de 2 a 7 horas, e às vezes até  ultrapassam o tempo estipulado. O cardápio da refeição em si geralmente é único e oferece um menu completo, justamente para não tirar a atenção dos convivas do que  realmente interessa- a conversa! Durante a falação animada, pratos vão e vêm, e você precisa se empenhar apenas em fazer um novo amigo, além de ouvir o que o seu próximo tem a dizer sobre o mundo na visão dele.

Vienna Coffeehouse- Áustria

Vienna Coffeehouse- Áustria

Este é um conceito que oferece aos mais tímidos a oportunidade de suavemente destravar sua inibição, aos mais falativos a de aprender a ouvir o próximo, aos mais curiosos a de aprender ainda mais sobre a interessantíssima espécie humana e suas infinitas possibilidades. Oferece-nos pessoas novas, energia renovada e troca saudável de diálogo criador, e não apenas o falatório sem fim unilateral ao qual estamos acostumados e já nem reagimos mais. Podemos “calçar os sapatos do outro”, e entender o mundo de maneira diferente. E isto pode ter um grande impacto em nós mesmos e no nosso próprio mundinho interior.

Por trás deste projeto, há  a ideia de se “espalhar amor e amizade”, promover suporte emocional, e aos poucos, mudar a cara de cidades caóticas aonde ninguém mais tem tempo sequer de dar um bom dia ao seu coabitante; além de favorecer a criatividade e a boa iniciativa através de possíveis parcerias entre os participantes.

oxfordmuse.com

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As conversas podem “migrar” para grupos, mas primeiro todos devem conversar uns com os outros separadamente. Não há idade máxima ou mínima para participar, os únicos requisitos obrigatórios são respeito ao próximo e boa vontade em realmente se conectar de maneira positiva com a visão do outro, criando assim um ambiente favorável à troca.

A opinião dos que participam destas conversas é a melhor possível, e a maioria se diz extremamente satisfeita com os resultados. Notaram melhora no convívio social, um aumento no nível de cultura geral, além de conseguirem relativizar os seus próprios problemas- somente ouvindo e analisando as experiências e opiniões de outras pessoas.

Como dizia Sócrates: “se você juntar duas pessoas com pontos de vista e experiências diferentes, o encontro entre eles pode criar algo inesperado e novo.”

Au Revoir!

 

 

Você é uma pessoa NIMBY?

mikewebbthinks.com

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Você sabe o que é uma pessoa NIMBY? Será que você é uma?
A palavra NIMBY vem do acrônimo da expressão em inglês “Not In My Back Yard” (Não no meu quintal), e define pessoas ou instituições que se opõem a construções, modificações próximas de sua casa, no seu bairro, querendo sempre que tudo permaneça como está.

Esta expressão é originalmente utilizada em Arquitetura/ Urbanismo nos Estados Unidos, mas rapidamente migrou para o mundo corporativo, definindo os executivos resistentes às mudanças, que não sentem necessidade de ir adiante- pois já chegaram ao cargo máximo, querem manter a sua “zona de conforto”. Querem que seus subordinados atinjam metas, tragam resultados, mudem- mas eles continuam lá, com suas fórmulas pré-concebidas, se esforçando para manter o status quo que tanto lhes faz bem.

Esta expressão define muito bem algumas atitudes por aí, com pessoas desesperadamente agarradas ao seu “normal”, “confortável”; e isto às vezes sem perceber. Até querem ou exigem alguma mudança, mas não são capazes de encabeça-las por inércia, insegurança ou teimosia em aceitar novos posicionamentos e opiniões diferentes das suas.

Uma auto-avaliação de condutas, caminhos, atitudes, modos de pensar/ agir pode nos ajudar a identificar se estamos realmente fazendo o nosso melhor naquilo a que nos propomos na vida, seja no lado pessoal ou profissional. Se estivermos tendo uma atitude NIMBY, como podemos mudar isso? Queremos a mudança, mas estamos realmente dispostos a mudar?

Estar aberto às mudanças da vida não é apenas desejável, mas imprescindível. Pessoas adaptáveis são as mais procuradas, as que mais agregam- porque são as que mais aprendem, as que mais “trocam”, e as que mais têm a oferecer- e por isso as mais valiosas. Pessoas com muito conhecimento, mas que não aceitam mudanças nem identificam novos caminhos em tempos de crise não têm gerenciamento estratégico, seja em uma empresa, seja na própria vida.
Então, é tempo de mudar, de agir! AJA agora, mude o que tiver que mudar, procure maneiras de se reinventar sempre, pois no mundo nada é estático. Comece agora, faça acontecer! No seu quintal SIM, pois a vida é energia, é mudança constante.
Se até o aço precisa ser aquecido e forjado para deixar de ser apenas uma barra sem graça, passando pela mudança que o desconstrói, encare essa desconstrução como algo positivo e necessário.
SEJA a mudança que você quer ver no mundo!

Abra a sua janela, quem sabe o que poderá encontrar?

Abra a sua janela, quem sabe o que poderá encontrar?

Au Revoir!

Curiosidades (parte 4)

Criatividade sem limites!

Criatividade sem limites!

– os homens chineses têm sempre os cabelos bem pretinhos, não importa a sua idade! Os cabelos são sempre pintados, pois se você tiver cabelos brancos, você falhou enquanto figura masculina, não tem a mesma “força” de antes, e não será mais tão homem quanto antes. História engraçada que se encaixa no contexto: meu marido foi, corajosamente, cortar seu cabelo (que possui alguns insistentes fios brancos). Corta daqui e dali, o chinês perguntou algo, ao que ele espertamente respondeu “yes, yes, ok, ok”, sem entender nada. Eis que o nosso amigo chega com uma negra tinta para pintar seus rebeldes fios brancos, ao que ele pulou da cadeira dizendo “me-yo, me-yo” (não, não)… Lição: tenha sempre cuidado com o que vai falar com seu cabeleireiro!
– ainda no assunto “cabelos”, eles têm por hábito raspar os cabelos dos bebês, pois dizem que isso os faz crescer mais fortes;

Imagem: noticias.uol.com.br

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– as mocinhas chinesas consideram depilar a sobrancelha com pinça uma dor absurda, então elas raspam os fios que estão fora do lugar com uma espécie de mini lâmina específica para este fim;

Imagem: ecvv.com

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– se os tijolos da Grande Muralha da China fossem enfileirados, dariam duas voltas completas na Terra;

Imagem: en.wikipedia.org

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– aqui, quem convida para ir ao restaurante, paga a conta. E não adianta querer ser educado e “rachar”, isso significa o contrário, que você está sendo desrespeitoso com quem te convidou. Você deve retribuir convidando da próxima vez, e não insistindo para pagar sua parte;
– as academias são pouco frequentadas aqui, explico: eles preferem atividades ao ar livre, como alongamentos, tai chi chuan, etc. Quando vão, é somente para uns minutinhos de esteira ou algo do tipo. E geralmente usam dockside, sapatilhas, ou até mesmo chapeuzinhos para andar na esteira com estilo (andar ao contrário também é super normal, trabalha partes diferentes do corpo, eles dizem). E prepare-se para ser copiado em todos os seus movimentos: como eles não têm o costume de ir regularmente como nós, acham o máximo que alguém mostre como usar os equipamentos da musculação. Os homens ficam querendo competir se você (mulher) por acaso levantar mais peso do que eles em algum exercício. E também é super normal fazer caras e bocas, chacoalhando braços e pernas em frente ao espelho, ao invés de realmente fazer o exercício…Não custa tentar! Pelo menos a risada do dia estará garantida, o que sempre é bom!

Imagem: en.wikipedia.org

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Curiosidades (parte 3)

Agora que já estamos praticamente íntimos dos posts sobre curiosidades, vamos direto ao assunto:
– ao entregar troco, recibos e afins, o atendente o fará com as duas mãos, em sinal de respeito a você, caro cliente;
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– as mulheres muito amigas andam frequentemente de mãos dadas, e homens muito amigos trocam confidências ao pé do ouvido;
– os casamentos atuais aqui na China têm uma tendência bem, digamos, fofa: tudo relativo ao casamento terá um ursinho de pelúcia envolvido. Explico: no arranjo de flores haverá certamente um Teddy casamenteiro, assim como seus amigos serelepes que estarão por toda festa. Assim como não será difícil encontra-los em algum penteado ou vestido tipo bufante geralmente vermelho super moderno de alguma noiva chinesa (ou das esfuziantes convidadas);

aliexpress.com

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– como já mencionei em um post anterior, os chineses não são dados aos mimimis da boa educação, então não estranhe se em um restaurante um deles resolver “saborear alto” a sua deliciosa sopa sabor coisas exóticas. Saiba também que se você não deixar um restinho de comida no prato, o anfitrião vai achar que falhou ao satisfaze-lo alimentarmente, e pedirá então mais um prato. Enquanto você continuar comendo, mais comida chegará! Se não quiser sair rolando após um banquete, deixe sempre um restinho de comida no seu prato!
– se você acha que filas são uma ode ao movimento de evolução espiritual e educacional humanos, te dou um conselho: não venha a China! Por aqui este conceito não existe, ou tampouco a civilidade e respeito ao direito do próximo que elas representam. Nem mesmo nos aeroportos, para acessar os portões de embarque, elas são necessárias- você que saia se enfiando e salve-se quem puder! O movimento é o seguinte: eles vêm vindo como quem não quer nada, e em um passo único e certeiro, estão na sua frente. Há sempre um amontoamento, e pessoas com prioridades geralmente não gozam dela, pois não há diferenciação. No metrô, o bom senso diz que devemos aguardar o que está dentro sair, para depois entrarmos, certo? Não aqui, colega! Até mesmo numa simples ida a padaria, o MacGyver que estava lá atrás de alguma maneira parou na frente da caixa, que naturalmente o atendeu antes. E assim caminha a humanidade, chinesa, lógico…

China e as falsificações

Que a China é autoridade no quesito falsificações, disso ninguém tem a mínima dúvida. Acho, inclusive, que se houvesse uma verdade mundial absoluta e indiscutível, seria essa.
Na revista Galileu de julho, há uma matéria sobre como os chineses estão resolvendo “reproduzir fielmente” monumentos de cidades famosas em suas cidades, juntando em uma mesma cidade o Capitólio, a Casa Branca, pontes parisienses, monumentos australianos…nem a legendária London Eye escapou.

London Eye colorida?

London Eye colorida?


O tribunal de justiça de Shanghai é uma mistura exata do Capitólio com a Casa Branca. Em Hangzhou, há uma versão chinesa de Veneza, reproduzindo canais (artificiais, claro) com gôndolas que oferecem um lindo passeio romântico, inclusive com vista para as réplicas (eles adoram esta palavra!) do Palácio Ducal e da torre da Basílica de São Marcos. Nesta mesma cidade, você poderá apreciar outro maravilhoso monumento europeu- A Torre Eiffel! Thames Town é uma cidade-satélite inteiramente ao estilo inglês, com guardas chineses “britânicos”. A estação central de Amsterdam, que fica em Shenyang (pensou que era aonde?), custou ao magnata Yang Bin mais de US$ 300 milhões, mas em 2009 foi demolida.
Paris? Praga? Não, Tianjin!

Paris? Praga? Não, Tianjin!


Precisa de uma receita médica? Sim, eles copiam. Uma certidão de casamento para obter descontos em viagens de “lua-de-mel” para as Maldivas? Está na mão. Quer um relógio suíço sem pagar o valor que eles custam, mas quer também com os já reconhecidos dispositivos de precisão do famoso sistema “suíço” de construir relógios? Temos também! Claro que, para o seu relógio suíço made in China custar tão mais barato, o preço a pagar será a qualidade: sua caixa de carbono será misturada com plástico, e dispositivos de metal não serão tão de metal assim.
vip.abril.com.br

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Peças de carro, airbags, componentes elétricos e inclusive o carro todo são copiados e revendidos neste mercado negro, que deixa a qualidade e, muitas vezes a segurança, em segundo plano em nome do menor preço. As plataformas mais usadas para escoamento desses produtos são as de alta rotatividade (e-Bay, por exemplo) e informalidade, caso dos mercados de rua.
euquevi.com.br

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Lojas inteiras imitam as originais, que oferecem sem saber seu nome de mercado aos gatunos em busca de lucro certo e fácil. Uma loja da “Apple Stoer” (não, você não leu errado), foi aberta em Kunming, oferecendo iPads, iPhones, e todos os i’s que você quiser comprar. O layout, uniforme dos funcionários, fachada, tudo foi cópia da Apple verdadeira. O mesmo aconteceu com a loja 11Furniture, que quis pegar uma carona na maré milionária de vendas da gigante sueca Ikea, copiando absolutamente tudo, desde o formato das lojas, uniformes, até o esquema de cores da verdadeira!
tecnoblog.net

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Nem objetos de arte de museus escaparam da onda, pois foram falsificadas mais de 40.000 peças supostamente pertencentes a última dinastia imperial. Aí eu pergunto: por que alguém faria isso??? Qual o propósito? Resposta: LUCRO. Este velho e egoísta companheiro, que tangencia todas as ações, hábitos e ideias de muitos dos chineses. Em todos os lugares, lá estará ele, o desejo ardente de lucro, cada vez maior e mais inescrupuloso. O tal museu em questão fica na província de Hebei, e foi fechado.
Produtos L'Occitane no Carrefour??? Tem algo errado...

Produtos L’Occitane no Carrefour??? Tem algo errado…


As falsificações chegam longe, muito mais do possamos imaginar: há uma moda atualmente na China de se falsificar comida. Já pensou comer ovo falso? Ele foi feito, e é comumente encontrado na parte sul do país. Feito com resina, gelatina, parafina, gesso, óxido de alumínio e mais um tanto de substâncias extremamente prejudiciais a saúde, tem a sua “receita” vendida em DVD’s nada difíceis de encontrar. A mão-de-obra na China é tão absurdamente barata, que o ser humano já está tentando substituir até galinhas poedeiras… Alguns outros alimentos já foram sabidamente “reproduzidos” por aqui: arroz de plástico, misturado ao natural para dar volume, óleo de cozinha, leite, fórmulas infantis (nem dos bebês eles têm pena!), e mais tantos outros que aparecem a cada dia.
filhotedepombo.com

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A irresponsabilidade dos falsificadores chega inclusive aos medicamentos, até mesmo os que tratam câncer, hipertensão, diabetes, substituindo por placebo a esperança daqueles que depositam nestes remédios as suas vidas.
As grandes corporações investem milhões em segurança tentando evitar que seus produtos sejam falsificados, mas geralmente sem muito sucesso. Há as que prefiram inclusive se juntar ao inimigo, vendendo produtos e tecnologias aos chineses de antemão, já que serão provavelmente copiados (e de graça).
Falsificações grosseiras (upira.com.br)

Falsificações grosseiras (upira.com.br)


Há um tempo atrás, quando a China começou a implementar os trens-bala, contratou uma companhia alemã de tecnologia ferroviária, pedindo que ela fizesse somente um pequeno trecho entre uma cidade e outra, dizendo que este serviria como um pré-contrato para o restante, podendo ser extendido para toda a China. Resultado: ao término da pequena ferrovia, os chineses agradeceram os alemães e disseram que já tinham a sua própria tecnologia para os seus trens-bala! Quão sagaz!!!
Esta sagacidade chinesa é algo impressionante e inacreditável em muitos casos, como as empresas que contratam um cidadão “sem características chinesas, que use terno e fale inglês” para representa-la, assumindo uma figura de ocidentalizada. Este ator será enviado a jantares, reuniões, e fingirá ser o braço ocidental e internacional da empresa. Em cada missão fake, ele receberá até US$ 1.000,00 dólares. Há até uma empresa especializada em intermediar a contratação desses atores freelancers- “Rent a Laowai” (alugue um estrangeiro).
galileu.com

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Há grandes corporações por trás das máfias das falsificacões, muitas delas inclusive ligadas ao próprio Partido Comunista. A impunidade transita livre, e permeia a maioria das transações; sendo que os realmente presos e punidos por estes crimes obviamente são os peixes pequenos, o lado mais fraco da corda. Os grandes magnatas que ficam com o maior quinhão, continuam lá, inabaláveis, reinvestindo seus milhões no futuro de prosperidade da China.
Realmente, a cara-de-pau do ser humano parece ser algo sem limites, pois “nada substitui o lucro”, aparentemente nem a dignidade e respeito próprios…
Já dizia o comandante Rolim, em outra célebre frase: “quem não tem criatividade para criar tem que ter coragem para copiar”…e coragem para copiar definitivamente não faltará jamais ao povo chinês!!!!!