Crepes franceses

 

Nada parece ser mais parisiense do que um crepe, certo? Um lembrete do savoir faire francês, daquele passeio maravilhoso em um dia ensolarado e frio na beira do Sena e da Torre Eiffel piscando quando você menos espera!

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Os crepes surgiram por volta de 7000 aC, quando uma mistura de cereais era socada no pilão com um pouco de água e deixada repousar em uma pedra (que aquecia com o sol, cozinhando a galette espessa).

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Na época moderna, reapareceu na região da Bretanha, no século 13, após o cultivo de trigo

sarraceno trazido pelas cruzadas da Ásia. Tornou-se então a famosa “galette bretonne.
A receita tradicional para se fazer um crepe é sempre a mesma: farinha de trigo (branca ou sarraceno) e líquido (leite com água ou cerveja). Pode ser feito em crepeiras tradicionais ou em uma chapa quente (frigideira grande também serve).

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Consome-se o crepe quente ou frio, doce ou salgado. Prato principal, lanche ou sobremesa. Fica a gosto do freguês!
Na França há uma regra para os crepes clássicos de que os mais claros geralmente são usados para preparações doces, enquanto os de trigo sarraceno são salgados. As maneiras de fazer os tão franceses crepes são inúmeras: podem levar até mesmo farinhas diferenciadas, como a de grão de bico, de lentilha e por aí vai. Os ingredientes adicionados variam bastante, dependendo do recheio que se quer acrescentar. Ovos vão geralmente nos doces. Pode-se adicionar ingredientes aromáticos à massa, como água de flor de laranjeira, água de rosas, licor Calvados (so french!), baunilha e o que mais você conseguir imaginar. Mas a única regra a se ter em mente é que O CREPE NÃO LEVA FERMENTO. Não deve crescer.

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Os acompanhamentos são dos mais variados: geléias, banana com pasta de avelã, e o meu preferido: Thon fromage avec poivre (atum com queijo emental e pimenta do reino). Sei que não é muito óbvio, mas para   mim ele tem gosto de Paris (o tiozinho da République faz o melhor da cidade!). Um crepe, mil possibilidades!

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Pode ser dobrado, enrolado, quadrado ou aberto mesmo. Grelhar, flambar com Grand Marnier e uma bola de sorvete de macadâmia (para aquele seu jantar temático francês ficaria perfeito!). Ele pode servir também de base para outras receitas, como bolo de crepes ou o mega french Ficelle Picarde (clique aqui ou aqui para receita).

Há equivalentes para ele em outros lugares: na Bélgica o vôte, a galette na Haute-Bretagne, pancake nos EUA (tipo sim, só que não), o blini no leste europeu e Rússia, o manakish no Líbano, a tortilla no Mexico, piadina na Itália, fainà na Argentina e o nosso crepe brasileiro. Obviamente nenhum se iguala em sabor e textura ao original francês.

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O crepe é tão celebrado na França que há festas que o usam como comida principal, exemplo do Chandeleur (40 dias após o Natal), onde os crepes representam a prosperidade para o ano que se inicia. Há uma lenda que diz que devemos saltear o crepe com uma moeda na mão, cantando a seguinte canção (tradução livre do original):

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” Na véspera do Chandeleur
Quando o inverno é cada dia mais forte

Se souber segurar bem a frigideira
A ti dinheiro em quantidade
E abrigo da estrela má
Se colocar o seu crepe do lado”

Bonitinho né? Franceses sendo franceses, e adoçando nossa vida com sabores e sonhos…

Te deixei com vontade de crepe? Vem aqui então! (PS- esta é a receita básica, use a sua imaginação e seja feliz!)

Au Revoir!

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