Chá, patrimônio da China

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Um pouco de história

O chá é, sem dúvida, um dos maiores patrimônios imateriais e culturais desta gigante nação, que ao longo do tempo vem somente ganhando força no seu conceito. É a bebida chinesa por excelência, consumida diariamente, a todo momento. Em todos os escritórios e locais de trabalho há fornecimento de água quente para sua preparação.
É sempre oferecido em reuniões de negócios (com tampas em cima das xícaras para evitar perda de calor), dada a sua importância cultural. Nestas ocasiões, o serviço do chá é executado de forma teatral, seguindo as tradições imperiais, e com extrema sincronia. Por isso, a cerimônia do chá chinesa (Kung Fu Cha) virou referência mundial quando o assunto é tradição e savoir-faire.

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A “invenção” do chá é atribuída ao imperador Shennong, que há 5 mil anos atrás teria bebido a infusão acidentalmente, quando uma folha de chá caíra em sua xícara de água quente. Durante séculos, foi tratada como bebida medicinal e oferecida em rituais religiosos.
Seu consumo popularizou-se a partir do século III, e durante a dinastia Tang, já era considerado um dos 7 elementos essenciais de uma casa da época (juntamente com fogo, arroz, óleo, sal, molho de soja e vinagre).
Tornou-se imediatamente a bebida da elite erudita imperial. O primeiro tratado escrito sobre cultivo, processamento e consumo data de 760, de autoria de Lu Yu e chama-se Cha Jing- o clássico do chá.
Foi levado por monges budistas para o Japão, onde também desenvolveu-se uma elaborada cerimônia para degustação do chá. Espalhou-se então pela costa leste asiática, chegando finalmente à Inglaterra- onde popularizou-se como bebida nacional e real.
Hoje em dia, consomem-se 3 bilhões de xícaras de chá diariamente. A Índia é o País com maior consumo (25,63%), e logo atrás está a China (25%). Quênia, Sri Lanka (antigo Ceilão) e Turquia também apresentam números expressivos de consumo.
O chá preto é o mais apreciado, com a esmagadora fatia de 82%, logo atrás está o chá verde, com 17%. Chá branco e oolong disputam a preferência, com 0,5% cada.
Na China, a etiqueta aconselha que o convidado deve expressar sua gratidão por fazer parte de uma cerimônia, batendo de leve os dedos indicadores e médio duas vezes na mesa antes de beber o chá.

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Tipos de chás

Os chás originam-se, em sua maioria, de uma única planta, a Camellia Sinensis, que produz as variedades preto, verde, oolong e branco. O que diferencia o seu tipo é o processo de oxidação/fermentação utilizado nessas folhas. De maneira geral, os chás para saquinhos se originam de folhas de menor qualidade, processadas por máquinas. Os de maior qualidade são processados manualmente, e se destinam a apreciadores/pontos de venda de chás a granel.

Plantação de Camellia Sinensis no Ceilão (ceylonblacktea.com)

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Vejamos os tipos mais interessantes e consumidos na China:
Chá preto (também chamado de chá vermelho aqui): chá mais forte, com mais cafeína. Os mais famosos são os indianos Darjeeling, Ceilão e Assam, e o chinês Keemun;
Chá verde: bastante consumido por ter propriedades antioxidantes, passa por uma rápida oxidação em suas folhas, e mantém as características naturais da Camellia Sinensis, como cor e sabor marcante;
Chá oolong (conhecido como chá verde azulado na China): oxidação entre o preto e o verde, chá incorpado e de sabor marcante, podendo revelar notas adocicadas no final;
Chá branco: chá proveniente de folhas muito jovens, em forma de botões, que ainda não sofreram o efeito da oxidação, nem a ação da clorofila. Sabor delicado e suave, que oferece ainda mais antioxidantes que o chá verde;
Chá Earl Grey: nome dado a qualquer tipo de chá aromatizado com óleo essencial de bergamota, sendo mais comumente utilizado o chá preto. A primeira receita elaborada em escala comercial para este chá foi feita pela tradicional marca britânica Twinings (que leva notas do precioso Lapsang Souchong, vide abaixo);
Chá Pu-ehr: o mais apreciado da China, é inclusive catalogado em sua produção, recebendo o status de vinho. Trata-se de um chá duplamente fermentado e envelhecido, podendo ter até mais de 50 anos. E o chá utilizado na cerimônia tradicional do chá- Kung Fu Cha. Geralmente encontrado em tijolos (prensa densa de chá);
Chá amarelo (também conhecido como Chong Cha): chá de alta qualidade, era o chá da corte imperial. Obtido através de uma secagem mais demorada das folhas, que repousam até amarelarem. Bastante apreciado na China, e indicado pela medicina tradicional chinesa para lidar com o calor do corpo, e também para abrandar sintomas da gripe;
Chá Lapsang Souchong (província de Fujian): chá preto defumado, seco com fogueiras de pinho. Considerado particularmente raro, pois sua produção é pequena. Muito apreciado na China, e também no Ocidente.

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Os chás produzidos fora da China utilizam a região produtora como nome: Ceilão, Assam, Darjeeling (tipo um D.O.C. de vinhos).
Curiosidade aromática: o chá de jasmim é produzido depositando-se flores de jasmim sobre as folhas de chá prontas para o processo de oxidação; o que confere a este saboroso chá o aroma marcante desta flor! Na China, inclusive, utiliza-se muito este processo de aromatizar chás, adicionando flores secas perfumadas, pétalas de rosas e o que mais quiser a infusão com o chá.

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A cerimônia do chá

A importância do chá é celebrada nestas cerimônias, evocando o espírito de paz, respeito, harmonia e pureza. Eram inclusive parte de celebrações de rituais de enterros de imperadores e familiares.
Inicialmente era chamada de “cha dao” ou “forma de chá”. Há seis aspectos a se considerar para uma cerimônia bem sucedida:
– atitude, que deve ser de confiança e felicidade, calma e descontração;
– seleção do chá, que deve ter fragrância, forma e sabor, contar uma bela história e ter “nome”;
– seleção da água, que deve ser pura e cristalina, para não influenciar no sabor e aroma da infusão;
– seleção do bule, que deve ser capaz de reter o calor; deve haver uma correta seleção do tipo de louça, levando em consideração o tipo de chá. Este recipiente onde o chá irá repousar deve ser previamente escaldado, além de ter uma beleza simplista, para não distrair a atenção da degustação;
– ambiente calmo, pacífico, confortável e tranquilo, com peças de arte que evoquem a atmosfera de prazer de uma verdadeira degustação;
– técnica ao servir, que deve incluir conhecimento sobre o que será servido, e principalmente graça e delicadeza nos movimentos.

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Algumas outras etapas devem ser observadas, como não agitar o bule durante sua preparação, e a temperatura da água, que deve ser no ponto de ebulição para a maioria dos chás. Os mais delicados, como Darjeeling e branco, assim como os mais raros, devem receber uma temperatura entre 80 a 85 graus celsius.
Aditivos como mel, leite, açúcar, limão e geléia de frutas (muito utilizadas aqui na China, são produzidas para este fim) são aceitos. O leite serve para amenizar o sabor tânico de chás mais encorpados, e deve ser utilizado frio e em pouca quantidade. Os apreciadores dizem que se deve adicionar o chá ao leite, e não o contrário, pois assim se obtém uma emulsão de melhor sabor, evitando o escaldamento.

Como podemos perceber, o mundo dos chás é um mundo à parte, de possibilidades e sabores infinitos. Um mundo que evoca história, rainhas, imperadores, cortes reais, cerimônias tradicionais de delicada beleza e suavidade, trazendo de volta a época de ouro das dinastias chinesas, com sua imponência e opulência. Como podem perceber, uma simples xícara de chá tem o poder de nos unir em sentimentos parecidos, trazendo ainda benefícios para a saúde e serenidade para a alma. Depois disso, eu não encararei jamais uma xícara de chá da mesma maneira…procure explorar e conhecer mais, ir além do sabor, degustar o conhecimento! Boa jornada!

“Há uma grande porção de poesia e sentimento em um baú de chá.” – Ralph Waldo Emerson

Au revoir!

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